quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Notícia boa vem com chuva

Meu ciclo não vinha já tinha uns dias. Normal até então.
Mas, como dizem...mãe sente! E comigo não foi diferente, sentia que havia algo acontecendo.
Foi onde decidimos (eu e meu companheiro) fazer exame de sangue.
Na minha cabeça, das duas, uma: ou eu estaria novamente com algum problema no ovário, ou.....estava pra chegar mais um membro na família. (lembrando que nessa fase já via um aumento no tamanho dos seus seios...o que seria? rs)
Lá estávamos nós no laboratório. Meia hora depois...POSITIVO!
Lembro do quanto meus pés suavam, sim, meu pés... eu fazia o exame de abanador para os coitados molhados. E ria, ria descontroladamente de emoção, nervoso, felicidade, "medo" do desconhecido...
Não satisfeitos, seguimos para um ultrassom. Andamos 2 quarteirões e começou uma bela duma chuva, mas daquelas que alagou Fortaleza inteira. Ficamos sentados recuados na calçada de uma loja. Chuva que veio pra fazer a gente sentar e refletir no que estava pra mudar nossas vidas. Nisso, ia alagando tudo e a água chegando na calçada da loja que estávamos. E olha que a calçada era daquelas bem recuadas.
1 hora depois chegamos na clínica do ultrassom e lá também estava: nossa sementinha germinando!
Ai a emoção toma conta. Lembro do doutor falando e eu repetindo sem nem saber o que saía da minha boca:
"Está em estado gestacional!"
"Estou?"
"Está!"
"Estou?"
"Está!"
"Estou?"
"Está!"
Sim, ai eu me descobri MÃE!

Com o passar das semanas, minha "ficha ia caindo"...lembro de um domingo na livraria, pesquisando livros e mais livros de maternidade/gestação, me pego envolta de crianças correndo, pegando liros nas prateleiras, sentadas com as mães no chão contando histórias...me vi num universo até então muito longe de toda minha realidade. Tive vontade de gritar tão alto e chorar que para não assustar a criançada, apenas fechei o livro e apoiei a cabeça em cima dele na mesa. Ali fiquei uns 10 minutos em silêncio e depois voltei pra casa.
Vale ressaltar que é um misto de emoções que passamos que nem a gente entende.
Me pegava olhando a barriga no espelho, na esperança do "será que já ta aparecendo?", falando com a barriga, olhando vitrines infantis, ouvindo musiquinhas pra barriga, enfim...tudo o que era relacionado a maternidade...lá estava eu.

Dias depois, soube de uma reunião que teria no Ishtar Fortaleza sobre Tipos de parto. Sim, lá estávamos nós, eu e companheiro, super curiosos sobre parto humanizado. Ali, nossa vontade só aumentou por ter nosso bebê da maneira mais natural possível.

Chegaram os enjôos...
Eu que sempre fui boa de garfo, sentia nojo de comida...
vomitava tanto, que minhas amígdalas ficavam em sangue e corte.
Das comidas, o que meu organismos aceitava era: ARROZ COM LIMÃO ESPREMIDO! Isso eu comia que me lambuzava toda!
E no geral as frutas, principalmente as ácidas...abacaxi, laranja....

Chegando no terceiro mês, desligando o chuveiro, sinto algo quente entre minhas pernas. Quando passo a mão: sangue.
Meu companheiro que estava queimando em febre, corre comigo para o hospital. Lembrando que era sexta-feira a noite, sem convênio e em plena Fortaleza, cidade longe dos nossos familiares.
Descolamento ovular! A médica (de um hospital público) estava mais preocupada e puta da vida com a maneira que meu companheiro estava sentado (lembrando que ele estava com febre) do que comigo, mãe de primeira viajem e sangrando em pleno desespero.
O exame de toque e ela fez, primeiro: não me avisou que faria....já foi logo literalmente enfiando a mãe dentro de mim. segundo: isso ela fez com tremenda delicadeza, que quase chorei de dor.
Tirou a luva, mandou eu levantar e voltar pra sala.
"Não é aborto, se fosse, teria muito mais sangue e dor"
Enfim, dispensa comentários sobre a tal doutora.

Diante dos atendimentos médicos, situação financeira e outros fatores, resolvemos voltar à SP.
14 horas de atraso no aeroporto. Sim meu povo...sempre tem como piorar!

Porém, o arroz com feijão da querida mamãe estava me esperando junto com os abraços de todos de lá de casa.

No ultrasson de meados de 20 semanas, soubemos o sexo...uma menininha. Nossa Serena querida que está chegando! (nome sugerido pelo papai coruja)

Em SP começamos a nos informar sobre médicos, tipos de parto, parteiras, amamentação, fraldas de pano e tudo do universo humanizado para nossa filhota...que fica para as próximas postagens.

Já estou no sexto mês. Como passa rápido!

Hoje, sou feliz e completa. A Serena veio para fazer com que eu me conhecesse e me descobrisse como mãe e soubesse o verdadeiro significado de ser mulher! É um amor incondicional.

Filha, gratidão por toda emoção que você me faz passar!
E aquela chuva da sua descoberta veio pra limpar e purificar os ares pra sua espera!